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Por que o exemplo do líder pesa mais do que o discurso na hora de formar uma equipe?

Elena Volskaya
Elena Volskaya 30 de outubro de 2026 8 Min de leitura
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Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo
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Toda equipe observa o que o líder faz antes de ouvir o que ele diz. Na avaliação geral de Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, feedback e exemplo moldam o comportamento de um time muito mais do que discursos. O assunto é prático, porque o que se tolera numa reunião, o que se cobra num prazo vencido e o que se elogia em público acabam definindo as regras reais de uma empresa, muito mais do que qualquer manual de conduta pendurado na parede.

Contents
O que é feedback e por que ele falha tão cedo?Como o exemplo do líder ensina mais do que a fala?Marcio Alaor de Araujo e a união entre feedback e exemploO que fazer quando a equipe ouve o contrário do que o líder diz?

O que é feedback e por que ele falha tão cedo?

Feedback é a devolutiva sobre o trabalho de alguém, feita com o objetivo de que a pessoa saiba o que manter e o que ajustar. Quando funciona, ele reduz a distância entre o que o líder espera e o que o profissional entende que deve entregar. Quando falha, costuma falhar por uma razão simples: chega tarde, vago ou misturado com opinião sobre a pessoa, e sobre o fato fica pouco. Em empresas que concentram as conversas de desempenho numa avaliação anual, o profissional recebe de uma só vez meses de observações acumuladas, e a reação natural é a defesa, que toma o lugar do aprendizado.

Conforme detalha Marcio Alaor de Araujo, a devolutiva é mais útil quando se apoia em situações concretas e recentes, descritas sem adjetivos que soem como julgamento. Dizer que uma apresentação deixou de responder à pergunta central do comitê orienta o ajuste; dizer que o profissional foi displicente apenas gera ressentimento. A diferença parece sutil, mas determina se a conversa termina com um plano de melhoria ou com um silêncio desconfortável que ninguém sabe como desfazer.

Há ainda a questão da frequência. Feedback pontual, dado perto do acontecimento, ensina mais do que feedback solene, marcado com semanas de atraso. Em equipes de operação intensa, uma conversa curta ao final de uma entrega costuma render mais do que um relatório extenso, porque o assunto ainda está vivo na memória de todos e a correção pode ser aplicada já na tarefa seguinte, sem esperar um ciclo formal de avaliação.

Como o exemplo do líder ensina mais do que a fala?

O exemplo funciona como um feedback permanente, só que silencioso. Se o líder cobra pontualidade e chega atrasado, a equipe aprende que o horário é negociável para quem tem cargo. Se pede transparência nos números e esconde os próprios erros, o time conclui que errar em voz alta custa caro. Pela ótica de Marcio Alaor de Araujo, a coerência entre fala e conduta é o que dá lastro a qualquer orientação, já que ninguém leva a sério uma regra que o próprio autor descumpre quando lhe convém.

É como a criança que ouve os pais pedirem calma aos gritos: a mensagem que fica é o grito, e o pedido se perde. Em empresas, o mecanismo é o mesmo, só que com salários e metas no lugar da mesa de jantar. O líder que elogia a colaboração, mas premia só quem entrega sozinho, comunica uma regra que contradiz o discurso, e a equipe, sempre atenta, obedece à regra que enxerga, deixando de lado a que apenas ouve.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Por isso, o exemplo também vale nos pequenos gestos. Admitir uma decisão equivocada diante do grupo, agradecer uma correção vinda de um subordinado, cumprir o que foi combinado em uma reunião menor: tudo isso ensina o que é aceitável. Na leitura de Marcio Alaor de Araujo, esses sinais acumulados formam a cultura de fato, e é nela que o time se apoia quando precisa decidir sem consultar ninguém, em meio a uma situação que nenhum procedimento previu.

Marcio Alaor de Araujo e a união entre feedback e exemplo

Feedback e exemplo não são ferramentas separadas, e sim partes do mesmo mecanismo. A devolutiva sem exemplo soa como cobrança vinda de quem não se submete às próprias exigências, e o exemplo sem devolutiva deixa a equipe adivinhando o que é esperado dela. Juntos, eles dão clareza: o líder mostra o padrão com a conduta e confirma, nas conversas, se o time o alcançou ou se há distância a corrigir.

Na avaliação de Marcio Alaor de Araujo, o ponto de partida está na própria agenda do líder. Antes de pedir mudança, convém perguntar que comportamento a equipe vê nele toda semana e se esse comportamento sustenta o que ele pretende cobrar. Quem faz esse exercício com honestidade costuma descobrir incoerências pequenas que, somadas, explicam por que determinadas orientações nunca pegam, por mais que sejam repetidas em reuniões e comunicados internos.

Um caminho simples começa por três hábitos. O primeiro é dar a devolutiva logo depois do fato, de forma específica e sem tom de acusação. O segundo é combinar com a equipe, de forma explícita, quais comportamentos a empresa espera de todos, do estagiário ao diretor. O terceiro é permitir que o time também aponte falhas do líder, com canais seguros para isso, de modo que a relação deixe de ser de mão única e passe a funcionar como um ciclo de aprendizado de verdade.

O que fazer quando a equipe ouve o contrário do que o líder diz?

Quando o time reproduz comportamentos que o líder condena, a primeira hipótese a examinar não é falta de compromisso, e sim ruído entre mensagem e prática. Uma boa investigação começa observando o que é de fato recompensado: promoções, elogios, atenção da diretoria. As pessoas ajustam o comportamento ao que traz reconhecimento, e é isso que precisa estar alinhado ao que a empresa diz valorizar.

Em seguida, vale reconhecer a incoerência abertamente. Um líder que admite ter dado um sinal contraditório e explica o que vai mudar ganha mais credibilidade do que aquele que insiste em repetir o discurso original. A equipe percebe a diferença, e a conversa deixa de ser sobre quem tem razão para tratar do que precisa ser feito daqui para a frente.

É preciso paciência. Cultura não se corrige em uma reunião, e a confiança perdida por sinais contraditórios só volta com repetição de sinais coerentes. Em termos práticos, o líder que decide tratar feedback e exemplo como disciplina diária, e não como evento, constrói aos poucos uma equipe que entende o que se espera dela e que sabe, sem precisar perguntar, como agir quando ninguém está olhando.

TAGGED:Empresário Márcio Alaor de AraújoMárcio AlaorMárcio Alaor de AraújoMárcio Alaor de Araújo Executivo do Mercado FinanceiroO que aconteceu com Márcio Alaor de AraújoQuem é Márcio Alaor de AraújoTudo sobre Márcio Alaor de Araújo
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