Gustavo Khattar de Godoy, médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, com doutorado pela UNICAMP, pós-doutorado pelo Johns Hopkins Hospital e experiência consolidada em gestão de equipes e planejamento estratégico de negócios, representa um perfil que o mercado de saúde precisa e ainda encontra com dificuldade. Isso porque, existe um momento na carreira de muitos médicos em que a competência técnica, por mais sólida que seja, deixa de ser o único fator relevante para o crescimento profissional. É quando a liderança entra em cena.
Na prática, gerir uma equipe, tomar decisões estratégicas, equilibrar qualidade clínica e sustentabilidade operacional são responsabilidades que exigem um repertório que a formação médica tradicional raramente desenvolve de forma estruturada. Este artigo examina o que separa o médico técnico do médico gestor e por que essa transição importa cada vez mais. Confira!
O que muda quando o médico assume a gestão?
A transição para um papel de liderança expõe lacunas que a excelência clínica não preenche automaticamente. Diante disso, conflitos de equipe, decisões de investimento, gestão de desempenho e planejamento de capacidade operacional são desafios de natureza completamente diferente dos que o médico enfrenta na prática assistencial. Consequentemente, quem não percebe essa diferença tende a aplicar à gestão a mesma lógica diagnóstica que usa na clínica, buscando a solução certa para um problema que muitas vezes não tem solução única.
Na avaliação de Gustavo Khattar de Godoy, o maior obstáculo da transição não é a falta de conhecimento administrativo, mas a resistência em aceitar que gerir pessoas e processos exige tolerância à ambiguidade que a medicina treinada para resolver problemas com precisão frequentemente não cultiva. Dessa forma, reconhecer essa diferença é o primeiro passo para desenvolver as competências que a liderança médica realmente exige.
Por que serviços de saúde precisam de médicos que também saibam gerir?
A resposta direta é que decisões clínicas e decisões de gestão raramente são independentes. Afinal, escolher em quais equipamentos investir afeta a qualidade dos exames, dimensionar mal a equipe compromete o tempo de laudo e ignorar a cultura organizacional aumenta o turnover e deteriora a consistência do serviço. Gustavo Khattar de Godoy indica que quando essas decisões são tomadas por gestores sem formação clínica, o resultado frequentemente é uma eficiência operacional que sacrifica qualidade diagnóstica. Mas, no momento em que são tomadas por médicos sem visão estratégica, o resultado é uma excelência clínica que não se sustenta financeiramente.
Como ressalta o médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem Gustavo Khattar de Godoy, o médico gestor eficaz é aquele que consegue transitar entre esses dois mundos sem perder a identidade em nenhum deles. Isso exige formação intencional, exposição a contextos de gestão real e disposição para aprender fora da zona de conforto que a especialidade médica normalmente oferece. Desse modo, não é um perfil que surge espontaneamente: é construído com escolhas deliberadas ao longo da carreira.

Como desenvolver a visão estratégica sem abandonar a prática clínica?
A boa notícia é que medicina e gestão não precisam ser exercidas em momentos separados da carreira. Muitos dos melhores médicos gestores mantêm atividade clínica ativa exatamente porque ela alimenta a compreensão sobre o que realmente importa nas decisões estratégicas do serviço. O contato com pacientes, com casos complexos e com as limitações reais da prática preserva uma perspectiva que a gestão pura frequentemente perde.
Como afirma Gustavo Khattar de Godoy, o desenvolvimento da visão estratégica começa pelo interesse genuíno em entender como o serviço funciona como sistema, e não apenas como conjunto de especialistas individuais. Portanto, participar de decisões sobre fluxos, protocolos e indicadores de qualidade, mesmo antes de ocupar posições formais de liderança, é o que constrói o repertório necessário para, quando o momento chegar, liderar com consistência e sem improvisação.
O médico gestor que o sistema de saúde precisa formar
A medicina brasileira forma excelentes técnicos. Forma poucos líderes. Essa lacuna tem consequências diretas na qualidade dos serviços de saúde, na sustentabilidade das clínicas e no desenvolvimento das equipes que dependem de liderança qualificada para crescer, demonstra Gustavo Khattar de Godoy. Com isso, investir na formação do médico gestor não é desviar a medicina do seu propósito: é garantir que a excelência clínica construída ao longo de anos de formação se traduza em impacto real, duradouro e escalável.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez