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O que é a síndrome de apneia central no idoso, diferente da apneia obstrutiva e mais difícil de tratar?

Diego Velázquez
Diego Velázquez 29 de julho de 2026 6 Min de leitura
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Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela
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Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, esclarece que, quando a maioria das pessoas ouve falar em apneia do sono, pensa imediatamente na apneia obstrutiva, aquela em que a via aérea superior colapsa durante o sono e interrompe a respiração até que o cérebro acorde o paciente para retomá-la. Essa forma de apneia é de fato a mais comum, mas existe uma segunda forma, a apneia central, que é significativamente mais prevalente em idosos do que em adultos jovens, que tem mecanismo completamente diferente e que responde mal ao tratamento convencional com CPAP, que resolve a maioria dos casos de apneia obstrutiva.

Contents
O que é a apneia central e como ela difere da obstrutiva?Por que a apneia central é mais comum no idoso?Como a apneia central é diagnosticada e por que o CPAP pode não funcionar?O que esperar do tratamento e como monitorar a evolução?

Neste guia, abordaremos o que é a apneia central, por que ela é mais comum no idoso e o que pode ser feito quando o CPAP não resolve o problema.

O que é a apneia central e como ela difere da obstrutiva?

Na apneia obstrutiva, o problema está na via aérea: os músculos da garganta relaxam demais durante o sono, colapsando a passagem do ar e interrompendo a respiração mecanicamente. O cérebro percebe a queda do oxigênio, acorda parcialmente o paciente, os músculos se reativam, a via aérea se reabre e a respiração recomeça. Esse ciclo se repete dezenas ou centenas de vezes por noite, fragmentando o sono e produzindo os sintomas característicos de sonolência diurna, ronco intenso e apneias observadas pelo parceiro.

Como esclarece Yuri Silva Portela, na apneia central o problema não está na via aérea, que permanece aberta, mas no sinal que o cérebro envia para os músculos respiratórios. Por razões que envolvem disfunção dos centros respiratórios do tronco cerebral, o cérebro simplesmente para de enviar o comando para respirar por períodos variáveis, produzindo pausas respiratórias sem ronco e sem esforço ventilatório aparente. Essa ausência de ronco é frequentemente interpretada como sinal de que o idoso dorme bem, retardando o diagnóstico por meses ou anos.

Por que a apneia central é mais comum no idoso?

O envelhecimento compromete progressivamente os mecanismos de controle da respiração durante o sono por múltiplos mecanismos. A sensibilidade dos quimiorreceptores, estruturas que monitoram os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e sinalizam ao cérebro quando a respiração precisa ser ajustada, reduz com a idade. Além disso, a estabilidade do sistema de controle respiratório durante o sono diminui, tornando-o mais suscetível a oscilações que produzem os ciclos de hiperpneia e apneia característicos da respiração de Cheyne-Stokes, uma forma específica de apneia central frequente em idosos com insuficiência cardíaca.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na perspectiva de Yuri Silva Portela, doenças prevalentes na terceira idade, como insuficiência cardíaca, AVC e insuficiência renal crônica, são fatores de risco específicos para apneia central que a equipe médica que acompanha esses idosos deveria investigar ativamente. A sobreposição de sintomas entre essas condições e a apneia central, com fadiga, dispneia noturna e sonolência diurna presentes em todas elas, torna o diagnóstico diferencial particularmente desafiador.

Como a apneia central é diagnosticada e por que o CPAP pode não funcionar?

O diagnóstico da apneia central requer polissonografia completa, exame que monitora simultaneamente a respiração, os movimentos torácicos e abdominais, os níveis de oxigênio no sangue e a atividade cerebral durante o sono. A análise desses dados permite distinguir entre apneias obstrutivas, em que há esforço respiratório sem fluxo aéreo, e apneias centrais, em que não há nem fluxo aéreo nem esforço respiratório.

Segundo Yuri Silva Portela, o CPAP convencional, que funciona criando uma pressão positiva contínua que mantém a via aérea aberta, não trata a apneia central porque o problema não está na via aérea. Em alguns casos, o CPAP pode até piorar a apneia central ao reduzir o gás carbônico a níveis que inibem o drive respiratório central. Nesses casos, dispositivos mais sofisticados, como o ASV (ventilação servo-adaptativa), que detecta as pausas respiratórias centrais e fornece suporte ventilatório automaticamente, são o tratamento de escolha para a apneia central não relacionada à insuficiência cardíaca.

O que esperar do tratamento e como monitorar a evolução?

O tratamento da apneia central no idoso exige abordagem que combine o manejo da condição subjacente, quando identificada, com o suporte ventilatório adequado e o monitoramento regular da resposta ao tratamento. Nesse contexto, a oximetria noturna domiciliar, exame simples que mede a saturação de oxigênio durante o sono, pode ser usada para monitorar a eficácia do tratamento entre as polissonografias de controle.

Yuri Silva Portela pontua que o idoso com apneia central bem tratada frequentemente experimenta melhora expressiva da qualidade do sono, da disposição diurna, da função cognitiva e do controle das condições cardiovasculares associadas. Identificar e tratar a apneia central no idoso é também uma forma de cuidar melhor do coração, do cérebro e da qualidade de vida que o sono fragmentado silenciosamente compromete noite após noite.

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