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Política

Datafolha mostra Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 31%: o que as pesquisas revelam e o que ainda está em aberto para 2026

Diego Velázquez
Diego Velázquez 25 de junho de 2026 7 Min de leitura
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Com a eleição presidencial a menos de 16 meses, os levantamentos mais recentes apontam disputa acirrada no segundo turno e um campo da oposição ainda fragmentado

Contents
O que dizem os levantamentos mais recentesPor que essas pesquisas devem ser lidas com cautelaO campo da oposição e o que falta definir

Faltando pouco mais de um ano para o primeiro turno das eleições presidenciais de outubro de 2026, o Brasil já vive um ciclo intenso de pesquisas eleitorais. Os dados mais recentes, divulgados ao longo de junho, pintam um quadro que combina liderança consolidada do presidente Lula no primeiro turno com uma disputa muito mais equilibrada quando se projeta um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato pelo PL.

A questão que está no centro do debate político e que move a curiosidade de milhões de eleitores é, no fundo, uma só: o que esses números significam de verdade, considerando as limitações conhecidas das pesquisas eleitorais brasileiras? A resposta não é simples, mas os dados ajudam a mapear o terreno.

O que dizem os levantamentos mais recentes

A pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 17 e 19 de junho de 2026 com 2.004 entrevistados, aponta o presidente Lula com 41% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro com 31%. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 3% cada. Nos cenários de segundo turno, Lula lidera em todas as simulações: 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro, 47% contra 41% de Caiado e 48% contra 39% de Romeu Zema. Gazeta do Povo

Os números do Datafolha são consistentes com outros levantamentos divulgados no mesmo período. A pesquisa Futura/Apex, realizada entre 8 e 12 de junho de 2026 com 2.000 pessoas em 861 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e grau de confiança de 95%, também aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno. Poder360

O quadro muda quando se olha para a pesquisa mais recente do Instituto Gerp, divulgada em 24 de junho de 2026. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados dentro da margem de erro de 2,19 pontos percentuais, com o petista liderando numericamente por 3 pontos percentuais. Na simulação de segundo turno entre os dois, há uma inversão, com Flávio liderando numericamente, embora a diferença de 2 pontos percentuais configure empate técnico. Há empate dentro da margem de erro também nos cenários de Lula contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Gazeta do Povo

Esses dados evidenciam que, dependendo da metodologia utilizada, o cenário pode variar bastante. O que os levantamentos têm em comum é o caráter competitivo de um eventual segundo turno. E o que os diferencia é a intensidade dessa competição.

Por que essas pesquisas devem ser lidas com cautela

O histórico recente das eleições brasileiras criou um problema de credibilidade para os institutos de pesquisa. Em 2022, houve divergências relevantes entre os números publicados nas semanas anteriores ao pleito e o resultado efetivo nas urnas. Como as próprias publicações especializadas reconhecem, pesquisas publicadas nas eleições de 2022 apontaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado apresentado na urna. Gazeta do Povo

Isso não significa que as pesquisas sejam inúteis — longe disso. Elas funcionam como termômetros do humor do eleitorado num dado momento, e não como previsão do futuro. Com mais de 16 meses pela frente até o primeiro turno, qualquer interpretação que trate os números atuais como resultado definitivo erra na largada. O próprio cenário de candidatos está longe de estar consolidado.

Além das incertezas metodológicas, há variáveis políticas que podem alterar o tabuleiro de forma substancial até outubro de 2026: a decisão do STF sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro ainda gera reflexos no posicionamento do campo da direita; o campo da oposição segue fragmentado entre pelo menos três pré-candidatos relevantes; e o governo federal ainda precisa entregar resultados econômicos concretos que sustentem ou ampliem os índices de aprovação do presidente. Tudo isso pesa sobre os números que as pesquisas mostram hoje.

O campo da oposição e o que falta definir

Um dos aspectos mais relevantes do atual momento eleitoral é a indefinição dentro do campo oposicionista. O eleitorado que declarou não votar em Lula de jeito nenhum supera o que declarou o mesmo sobre Flávio Bolsonaro, segundo o levantamento do Gerp — uma indicação de que a rejeição ao presidente segue sendo um fator mobilizador na oposição. Mas mobilizar o eleitor antiLula não é suficiente se a oposição não conseguir convergir em torno de um nome único. Gazeta do Povo

Ronaldo Caiado e Romeu Zema representam alternativas que apontam para perfis diferentes de eleitor: o primeiro é identificado com o agronegócio e com o interior do Brasil, o segundo com o eleitorado que rejeita tanto o PT quanto o bolsonarismo mais radical. Em um embate de segundo turno entre Lula e Caiado, o petista registraria 47% contra 41% do governador. Em confronto com Zema, chegaria a 48% contra 39% do ex-governador de Minas. Esses números mostram que, quanto mais fragmentado o campo oposicionista até o primeiro turno, maior a dificuldade de superar Lula no segundo. Gazeta do Povo

O cenário atual ainda é de formação, e não de consolidação. O debate político dos próximos meses — especialmente sobre regulação das redes sociais, eleições e os efeitos da política econômica do governo — vai moldar o terreno em que essas disputas se desenvolverão. As pesquisas registram o presente. Cabe ao eleitor entender o que elas revelam e o que ainda está por escrever.

Fontes consultadas: Gazeta do Povo/Datafolha | Poder360/Futura-Apex | Gazeta do Povo/Gerp | Jota/Indexa

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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