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Brasil registra 1,5 milhão de tentativas de fraude em três meses e expõe o tamanho real do crime digital com IA

Diego Velázquez
Diego Velázquez 25 de junho de 2026 9 Min de leitura
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Dados da Serasa Experian revelam que golpes cresceram 36,6% no primeiro trimestre de 2026 e que o prejuízo potencial chegaria a R$ 1,98 bilhão caso as tentativas não fossem bloqueadas

Contents
Como a inteligência artificial virou a principal arma do crime digital no BrasilO prejuízo real e quem está mais expostoO que pode ser feito e por que o problema exige resposta coletiva

Uma tentativa de fraude a cada cinco segundos. Esse é o ritmo com que o crime digital avançou sobre o Brasil no começo de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. Os números não são apenas impressionantes na escala — eles revelam uma mudança qualitativa no padrão dos ataques: mais sofisticados, mais personalizados e cada vez mais apoiados no uso de inteligência artificial.

O Brasil registrou quase 1,5 milhão de tentativas de fraude de identidade no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O setor financeiro concentrou seis em cada dez ocorrências, enquanto o e-commerce registrou uma tentativa de fraude a cada 21 segundos. Caso não fossem bloqueadas, as fraudes poderiam gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas. Consumidor Moderno

O que está por trás desse crescimento? E quais são os mecanismos que tornam os golpes de hoje tão diferentes dos de cinco anos atrás? É o que o Escavabor investiga com base nos dados mais recentes.

Como a inteligência artificial virou a principal arma do crime digital no Brasil

A transformação mais significativa no cenário de fraudes dos últimos anos tem um nome: inteligência artificial generativa. Ferramentas que antes exigiam conhecimento técnico aprofundado estão hoje acessíveis a qualquer pessoa com acesso à internet, e os criminosos foram rápidos em perceber o potencial dessa tecnologia para escalar e personalizar os ataques.

De acordo com a Serasa Experian, a inteligência artificial tem atuado como um dos principais fatores de transformação do cenário de fraudes digitais. Ferramentas de IA generativa permitem criar golpes mais personalizados e convincentes, além de potencializar o uso de deepfakes e conteúdos falsos em larga escala. Outro fenômeno apontado pelo levantamento é o crescimento do chamado “fraud as a service” (fraude como serviço), modelo em que criminosos desenvolvem métodos para explorar vulnerabilidades e comercializam esses recursos para outros fraudadores em ambientes da deep web e da dark web. Consumidor Moderno

Esse modelo de negócio criminoso é o que mais preocupa os especialistas. Ele transforma o golpe digital em uma commodity: qualquer pessoa pode comprar um kit de fraude pronto, configurar um ataque e executá-lo sem precisar entender como a tecnologia funciona por baixo. O resultado é uma explosão no volume de tentativas e na dificuldade de rastreamento e responsabilização.

Um relatório da Serasa Experian aponta que o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro semestre de 2025, o que equivale a uma ocorrência a cada 2,3 segundos. Além disso, levantamento da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor identificou cerca de 28 milhões de golpes envolvendo Pix entre janeiro e setembro de 2025, além de 2,7 milhões de fraudes em compras online e 1,6 milhão de golpes via WhatsApp. O ritmo de 2026 é a continuidade direta desse padrão — não uma ruptura. Estado de Minas

O prejuízo real e quem está mais exposto

Os números absolutos das tentativas de fraude são impactantes, mas o que mais chama atenção é a escala do prejuízo quando as defesas falham. O prejuízo total com golpes envolvendo Pix e boletos alcançou R$ 29 bilhões entre julho de 2024 e junho de 2025. A perda média por vítima chegou a R$ 6.311. Além disso, 51% da população adulta foi afetada em 2024, enquanto o país registrou cerca de 4.600 tentativas por hora. Gutemberg Amorim

Esses dados mudam completamente a percepção de risco. Quando mais da metade da população adulta brasileira já sofreu algum tipo de golpe ou fraude, o problema deixa de ser uma eventualidade e passa a ser um risco sistêmico. Não se trata mais de saber se uma pessoa vai ser alvo, mas quando e de que forma.

O Banco Central do Brasil alertou para vulnerabilidades no sistema financeiro, destacando que muitos provedores terceirizados não implementam validações robustas em suas APIs, o que amplia a superfície para ataques cibernéticos. As fraudes por identidade sintética, em que criminosos combinam dados reais de pessoas com informações fictícias para criar “novos” perfis, devem se tornar ainda mais comuns, dificultando a detecção por verificações convencionais. Kronoos

Há ainda uma segmentação por faixa etária que precisa ser levada a sério. Os jovens até 25 anos devem continuar como alvo principal dos cibercriminosos em 2026. De acordo com dados da Serasa Experian, as tentativas de fraude contra esse público cresceram 43% no primeiro semestre de 2025. Isso ocorre porque eles são altamente conectados, usam vários canais digitais e muitas vezes têm menor experiência para identificar sinais de fraude sofisticada. Ao mesmo tempo, usuários de fintechs e novos meios de pagamento digital também aparecem como grupo de risco elevado. Kronoos

O que pode ser feito e por que o problema exige resposta coletiva

Os especialistas apontam que o enfrentamento ao avanço dos golpes digitais em 2026 passa por um esforço coletivo. “Os criminosos já atuam de forma colaborativa, trocando técnicas e dados em tempo real. Educação digital, revisão de hábitos e consciência sobre o próprio comportamento online serão decisivos”, afirma Priscila Meyer, CEO da Eskive e especialista em segurança da informação. “Em 2026, a segurança digital será muito mais sobre pessoas do que sobre tecnologia. Entender como os golpes funcionam, desconfiar de excessos de urgência e validar informações antes de agir será fundamental para reduzir prejuízos.” Minutodaseguranca

No plano institucional, a pressão sobre bancos, fintechs e plataformas digitais também cresceu. A decisão do STF que ampliou a responsabilização das big techs por conteúdos ilícitos, fixada em junho de 2026, tem relação direta com esse cenário: parte dos golpes começa em redes sociais por meio de anúncios falsos e perfis clonados, exatamente os casos em que as plataformas passam a ter maior responsabilidade legal.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, foram registrados 2.166.552 casos de estelionato em 2024, representando um crescimento de 408% em relação a 2018, com cerca de 4 golpes aplicados por minuto no Brasil. Muitos autores saem impunes devido à dificuldade do sistema para processar casos desse porte. A impunidade segue sendo um incentivo estrutural ao crime. Sem reformas nos sistemas de investigação e responsabilização, o crescimento das fraudes tende a continuar independentemente de quantas tentativas sejam bloqueadas pelas ferramentas de prevenção. Blog BRCondos

O panorama de 2026 deixa claro que o crime digital não é mais um problema marginal. É uma das maiores ameaças à segurança econômica da população brasileira, e o enfrentamento efetivo passa por três frentes simultâneas: tecnologia mais robusta por parte das instituições, legislação que responsabilize plataformas e criminosos com mais efetividade, e uma população mais informada sobre como esses golpes funcionam.

Fontes consultadas: Consumidor Moderno/Serasa Experian | Estado de Minas | Kronoos | Gutemberg Amorim | BRCondos/FBSP

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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